13 abril 2006


Jornal de Noticias [2006-04-13]


Tutela da Igreja acabou há 600 anos


O Clube dos Fenianos Portuenses e a Associação Ara Solis comemoram, hoje, os 600 anos da separação entre o Estado e a Igreja no Porto, numa iniciativa denominada "Porto - Capital da Liberdade".


A comemoração inicia-se às 21.30 horas, na sede dos Fenianos, com um concerto de guitarra portuguesa, seguindo-se uma conferência a cargo de Germano Silva, historiador da cidade do Porto.

A separação entre o Estado e a Igreja na cidade do Porto foi estabelecida num acordo assinado a 13 de Abril de 1406, no reinado de D. João I. Este acordo pôs fim a um conflito de mais de dois séculos entre a burguesia e a Igreja, iniciado em 1176 com o bispo D. Fernando Martins.

A tensão manteve-se e aumentou, o que levou à interdição da cidade em 1208 (reinado de D. Sancho I), na sequência do cerco feito pela população ao bispo da altura, D. Martinho Rodrigues.

Esta situação de ruptura atingiria o seu ponto mais alto em 1315, com outra fuga do bispo do Porto de então, D. Fernando Ramires, para Avinhão, em França.

A assinatura do acordo de 13 de Abril de 1406, no Paço Real de Santarém, com os representantes do Papa Inocêncio VI, permitiu que os portuenses passassem a ser donos dos seus destinos, ficando livres da tutela administrativa da Igreja.